Já se fecharam as portas que deixei entreabertas no caminho. Num instante inesperado, uma lufada de ar, tudo se trancou deixando no passado o que me prendia. Por um momento experimento novamente a liberdade de não saber onde depositar meu desejo. De não tê-lo ligado a ninguém. É como estar em campo aberto e olhar ao horizonte podendo ver por completo a tênue linha que divide céu e terra. Não há montanhas e morros, não há árvores ou prédios. Não há ninguém indo ou vindo. Apenas você e o futuro desconhecido.
A perspectiva é diferente agora. Não creio mais que o caminho me leve à solidão. Ainda que o inquietante desconforto de deixar o desejo a esmo exista, ele agora é brando. Quase prazeroso. Ignoro quase que por completo a expectativa de moldar meu futuro junta a alguém. É algo que já não me parece mais tão importante. Entendo que dediquei muito tempo a essa busca, mas essa Moby Dick já não atrai mais meus sentimentos como antes. Se ela está adormecida, hibernando, esperando o momento certo para um novo ataque, eu não sei. Apenas me preparo, suprindo-me para uma nova jornada.
Não me importo agora o tempo que isso durar. Já me disse outras vezes, mas não me custa nada repetir: Voltarei atrás assim que entender que essa não é uma verdade que eu queira. “As nossas escolhas tem sempre metade de chance de dar certo” disse o poeta e é esse o pensamento vigente. Não me adiantou lutar contra o tempo. Nada resultou a luta contra os momentos que experimentei. Lutar contra a vontade alheia só criou maiores frustrações
Vencendo ou perdendo, eu sairei melhor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário